Noruega se recusa a perfurar poço bilionário de petróleo em prol do meio ambiente
O maior partido do parlamento norueguês chocou a indústria petrolífera do país, depois de retirar o apoio à perfuração exploratória das ilhas Lofoten, no Ártico, consideradas uma maravilha natural.
O movimento realizado pelo partido de oposição ao governo cria uma grande maioria parlamentar contra a exploração de petróleo na área costeira. A medida ilustra a crescente oposição ao combustível fóssil poluidor, que fez do país um dos mais ricos do mundo.
Atualmente, a Noruega bombeia mais de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia em suas operações e está entre os 20 maiores produtores do mundo.

Acredita-se que exista de 1 a 3 bilhões de barris de petróleo abaixo do fundo do mar no arquipélago de Lofoten
A maior produtora de petróleo da Noruega, a estatal Equinor ASA, afirmou que o acesso ao fornecimento de petróleo em Lofoten é essencial para o país manter os níveis de produção.
Acredita-se que exista de 1 a 3 bilhões de barris de petróleo abaixo do fundo do mar no arquipélago de Lofoten. A área vinha sendo blindada por anos pelo governo de coalizão da Noruega por meio de vários acordos políticos.
"Toda a indústria está surpresa e decepcionada", disse o chefe da Associação Norueguesa de Petróleo e Gás, Karl Eirik Schjott-Pedersen, à Bloomberg.
Sindicatos do setor questionam decisão
A decisão do partido trabalhista, anunciada por seu líder, Jonas Gahr Store, expõe uma brecha na legenda. Enquanto a liderança tenta refletir as crescentes preocupações ambientais da população, o partido também quer acomodar os interesses dos sindicatos de trabalhadores da indústria petrolífera, seus principais apoiadores.
Store confirmou, porém, que o partido continuará a apoiar a indústria petrolífera, mas também disse que quer que as empresas do segmento se comprometam com um prazo para tornar todas as operações livres de emissões.
